7 semelhanças marcantes entre Dilma e Collor

Collor e Dilma

Foi no dia 20 de setembro de 1992, um domingo, que o ex-presidente Fernando Collor de Mello proferiu, em cadeia nacional de rádio e televisão, seu último discurso como Presidente da República. Por quase vinte minutos, Collor se explicou com relação às acusações que davam base ao pedido de impeachment que, por fim, seria responsável por sua queda.

Quase 24 anos depois, revisitar o último discurso de Collor tem um bônus adicional: ver como se lhe parecem os discursos proferidos pela presidente Dilma Rousseff nos últimos dias. E a quantidade de semelhanças é mesmo surpreendente. Continuar lendo

As 4 mentiras de Dona Dilma

Créditos: Reuters

Créditos: Reuters

O Brasil tem sido agitado por muitos fatos políticos há quase duas semanas. No dia 13 de março, mais de cinco milhões de pessoas foram às ruas contra o governo Dilma e o PT. Em 16 de março, a presidente Dilma Rousseff resolveu nomear Lula para a chefia da Casa Civil e, horas depois, o juiz Sérgio Moro levantou o sigilo de escutas telefônicas feitas em telefone utilizados por Lula. Um dos telefonemas interceptados ocorreu entre Dilma e Lula.

No dia seguinte, ocorreu a posse de Lula como ministro, e Dilma não economizou palavras para mostrar como estava indignada. A presidente disse que as escutas eram ilegais, que os pedidos de impeachment são golpistas e chamou os maiores protestos populares da história brasileira de “gritaria dos golpistas” e “algaravia, advinda da excitação de pré-julgamentos”. Uma presidente da República falar coisas tão sérias e graves deve ter alguma base na realidade, certo? Bom, não é bem assim. Por isso, vamos olhar melhor para as alegações de Dilma. Continuar lendo

Como fazer história num dia de domingo

Pelo menos 100 mil pessoas protestaram contra o governo em Brasília. Foto: Michel Filho, Jornal "O Globo"

Pelo menos 100 mil pessoas protestaram contra o governo em Brasília. Foto: Michel Filho, Jornal “O Globo”

O dia 13 de março de 2016 já está marcado como a maior mobilização política popular da história brasileira. Mais de 1 milhão de pessoas protestaram contra o governo na orla de Copacabana, e bem mais de 1 milhão e meio marchou pela Avenida Paulista, em São Paulo, exigindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em todo o Brasil, aproximadamente 5 milhões de pessoas foram às ruas em 326 cidades de todos os estados.

Para além dos números, o protesto de ontem apresentou algumas coincidências que merecem destaque.

1) No dia 13 de março de 1917, nasceu José Osvaldo de Meira Penna, o maior expoente do liberalismo clássico em terra brasileira. Homem de intelecto afiado e com vasta obra, foi embaixador do Brasil em sete países – Israel, Nigéria, Noruega, Equador, Estados Unidos, França e Polônia. Completou 99 anos de idade.

2) Em 13 de março de 1964, ocorreu o afamado comício da Central do Brasil, liderado pelo então presidente João Goulart e por Leonel Brizola, então governador do Rio Grande do Sul e cunhado de Jango. Nesse comício, ao qual 150 mil pessoas compareceram, Jango colocou suas garrinhas totalitárias para fora e disse, em alto e bom som, que faria as reformas que pretendia “com ou sem o Congresso”, “na lei ou na marra”. Cinqüenta e dois anos depois, as manifestações populares de 13 de março de 2016 se colocam contra essa pretensão totalitária, que sempre esteve presente, de modo mais ou menos explícito, nos governos de Lula e Dilma.

3) Antes dos eventos de ontem, a maior manifestação popular da história brasileira havia sido o comício das Diretas Já de 16 de abril de 1984, que reunira 1,5 milhão de pessoas no Vale do Anhangabaú, na capital paulista. Naquela época, uma das principais lideranças políticas era justamente Luiz Inácio Lula da Silva, que discursou ao lado de figuras como Tancredo Neves e Ulysses Guimarães. Estava em seus lábios, na ocasião, a defesa da democracia e o restabelecimento da decência no País. Ironicamente, Lula é a encarnação da máxima de Karl Marx registrada em “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

Outrora bastião da decência e da ética, Lula e o Partido dos Trabalhadores, uma vez tendo o poder, mostraram o que realmente são: larápios de alto coturno que seqüestraram o Estado para seus interesses privados e dele se valem para a construção um projeto criminoso de poder. E Dilma Rousseff, praticamente um presidente biônico de Lula, é o efeito mais evidente desse projeto. Os que antes diziam defender a democracia hoje constroem uma narrativa em que tentam se converter eles mesmos em instituições políticas invioláveis, inatingíveis.

Coletiva de imprensa convocada por Lula após seu depoimento à Polícia Federal. Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas

Coletiva de imprensa convocada por Lula após seu depoimento à Polícia Federal. Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas

Não podemos, entretanto, acreditar que as manifestações de 13 de março de 2016 irão, por si mesmas, produzir efeitos. Esse erro seria mortal. É fato que elas mostraram que os brasileiros estão mais dispostos a ir às ruas para defender a si mesmos enquanto nação; que não toleram mais nem a corrupção, nem o covarde oportunismo da classe política, independentemente de partidos; que não vêem e valorizam o trabalho de combate à corrupção, especialmente ao seqüestro do Estado brasileiro pelo Partido dos Trabalhadores, levado a cabo nos últimos anos, especialmente no âmbito da Operação Lava-Jato. Entretanto, as manifestações não decretaram o fim desse governo gangrenado pela corrupção.

O fim deste governo só poderá ser decretado a partir do momento em que Dilma Rousseff deixar a Presidência da República – seja por impeachment, cassação eleitoral ou renúncia – e que, uma vez estabelecidas com clareza as responsabilidades criminais, os políticos implicados na Operação Lava-Jato – Dilma, Lula, Aécio Neves, Eduardo Cunha, e tantos outros – pagarem por seus crimes. Não se poderá alcançar isso apenas com massivos protestos de rua sem que haja, da parte de cada cidadão, uma pressão constante, incansável, sobre as instituições da República. O que fizemos em público, ombreados por nossos concidadãos, devemos fazê-lo todos os dias, sem retroceder, até a vitória final.

Trabalhando por uma leitura melhor

Se perguntássemos para qualquer passante na rua qual é a primeira palavra que lhe vem à mente ao ouvir “literatura”, certamente as respostas mais comuns seriam “diversão”, “passatempo”, “chato” e outras variantes. Não é à toa: a experiência (quando há alguma) que a grande maioria das pessoas teve com algum tipo de literatura se resume a crônicas publicadas em jornais e revistas informativas, tirinhas de histórias em quadrinhos, livrinhos de piada ou os ditos clássicos da literatura brasileira – cuja leitura, compulsória em praticamente todas as escolas do País, são relembradas com o mesmo carinho com que se recorda de uma prolongada sessão de tortura. Continuar lendo

Como não defender a Igreja

Jacopo Alessandro Calvi, "Catarina exortando Gregório XI a voltar para Roma", séc. XVIII.

Jacopo Alessandro Calvi, “Catarina exortando Gregório XI a voltar para Roma”, séc. XVIII.

Sou católico. Não escondo a minha fé, nem a exibo infantilmente. Converti-me há quatro anos – apesar de ter sido batizado na Igreja com 1 ano, recebi educação religiosa espírita. Desde então, busco viver seriamente minha fé, sem alarde, com fidelidade. Esse esforço não turva minha capacidade de enxergar as coisas como são, muito pelo contrário: quando se vê algo censurável no seio dos católicos, é preciso que se diga qual é o erro e condená-lo, preservando aquele que o cometeu.

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Ainda, a ruína da Europa – e uma resposta conveniente

Aleksandr Averyanov, The Defense of Smolensk on August 5th, 1812.

Aleksandr Averyanov, The Defense of Smolensk on August 5th, 1812.

Há um provérbio árabe que diz: “Um tolo joga uma pedra em um poço, e cem sábios não conseguem movê-la”. Freqüentemente, é muito mais difícil desfazer uma informação equivocada do que simplesmente passá-la adiante. No entanto, faz-se necessário responder a um punhado de equívocos com uma procissão de argumentos bem fundados. Então, vamos lá.

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A ruína da Europa – e como impedi-la

Thomas Cole, The Course of Empire: Destruction, 1836.

Thomas Cole, The Course of Empire: Destruction, 1836.

A Europa ainda parece um tanto atônita diante da carnificina perpetrada em Paris pelos terroristas do Estado Islâmico. A reação instantânea de muitos países ocidentais foi, de certa forma, algo natural e já esperado: a restrição de entrada de refugiados, operações policiais cinematográficas em seus próprios territórios, o aumento dos bombardeios a posições do Estado Islâmico na região do Levante, dentre outras.

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