Sobre meninos e homens

São Paulo, o Apóstolo das Gentes, escreveu em uma de suas cartas à comunidade dos cristãos de Corinto o seguinte: “Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança.” (1Cor 13, 11) Sempre alcançamos um ponto em que os modos de antigamente devem ser postos de lado e é necessário mudar – ou, melhor dito, amadurecer.

Há 4 anos, toco um projeto virtual que muito frutificou: o blog Juventude Conservadora da UnB. O nome não foi escolhido à toa – era, sim, uma provocação aberta àqueles que, dentro do ambiente universitário, defendiam a pluralidade e a tolerância apenas em seus discursos, mas que adotavam uma prática completamente diferente, abundante em métodos e táticas de intimidação, constrangimento e agressão. No início, o choque por se ter uma voz discordante do pensamento hegemônico dentro da Universidade de Brasília se fez sentir com alguma força – cheguei mesmo a ser ameaçado algumas vezes –, mas esse era justamente o objetivo. Hoje, posso dizer, sem receio de parecer arrogante, que fui um dos pioneiros em quebrar a espiral do silêncio que sustentava a hegemonia esquerdista dentro da UnB.

O objetivo do blog da Juventude Conservadora da UnB era reagir contra sufocação ao livre debate de ideias e contra o patrulhamento ideológico que se vivia na universidade. Esses problemas ainda existem, mas não são tão generalizados como outrora. A universidade é uma importante frente de batalha na guerra cultural, e o blog da Juventude Conservadora da UnB servia justamente ao propósito de alertar para o fato de que, na Universidade de Brasília, a esquerda promovia um verdadeiro massacre. Para minha grande surpresa, os esforços feitos para combater a esquerda no campo das ideias dentro da UnB transbordaram e foram assumidos em outras universidades pelo País. Creio que meu blog ajudou a contribuir nesse esforço, mesmo que sua contribuição tenha sido tímida frente a outras pessoas e instituições.

Mas não basta reagir: é preciso assumir uma postura propositiva, que não se reduza ao mero denuncismo, mas que efetivamente sirva para pautar os debates culturais, acadêmicos e políticos em voga na nossa sociedade. E é preciso também pensar de modo estratégico, observar todos os campos em que a guerra cultural é travada diariamente. É preciso fazer muito, muito mais. E, vendo que os frutos que ajudei a gerar (com um trabalho pequeno e desorganizado, dentro de um contexto muito específico) foram colhidos por bastantes pessoas, está na hora de deixar para trás a mera reação e passar ao campo da proposição. De hoje em diante, este blog será o espaço em que farei isso.

O trabalho a ser feito é imenso, a ferocidade daqueles que nos veem como inimigos é intensa, e há ainda poucos que se dispõem a contribuir com seu esforço e seu sacrifício para que façamos o que deve ser feito. Mas eu me recuso a aderir àquela postura cínica dos que se sabem derrotados de antemão. E, nesse espírito de necessária teimosia, faço minhas as palavras do grande Edmund Burke: “Nossa paciência conquistará mais do que nossa força.”

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