Vamos falar sobre aborto?

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– Você viu aquela campanha da Revista TPM?
– Qual?
– Aquela sobre o aborto.
– Vi, sim.
– O que você achou?
– Não gostei.
– Por quê?
– Porque aborto é assassinato, oras.
– Claro que não!
– Como não?
– Assassinato é matar um ser humano.
– E a criança não é um ser humano?
– Criança, sim. Mas o embrião não é criança, não é uma pessoa.
– Ah, não?
– Não.
– E o que é, então?
– É um amontoado de células.
– E você, não é um amontoado de células?
– Sim. Quer dizer, não. Digo, sim, sou, mas não só um amontoado de células.
– Então, para ser uma pessoa, não basta ser um amontoado de células?
– Claro que não!
– Do que mais precisa?
– Precisa se reconhecer como uma pessoa.
– Então, um recém-nascido, que não tem razão suficiente para se reconhecer como pessoa, não é uma pessoa?
– Não. Quer dizer, sim! É claro que é!
– Então, o que faz de um amontoado de células uma pessoa?
– Precisa ter nascido, claro.
– Então, é o nascimento que faz da pessoa uma pessoa?
– Isso.
– Então, o nenê só passa a ser pessoa quando nasce?
– Exatamente.
– Então, naqueles poucos segundos em que o bebê nasce, ele vira um ser diferente do que era antes?
– É.
– E você já viu alguma coisa não-humana se transformar em algo humano assim, num passe de mágica?
– É… Hm… Não…
– Então, repito a pergunta: o que faz de um amontoado de células uma pessoa?
– Bom… Deixa eu ver…
– …
– Ah, sim!
– O quê?
– Consciência! Não basta ser um amontoado de células, é preciso ter consciência!
– Defina consciência.
– Consciência é… É… É consciência, ué!
– Como assim?
– A capacidade de tomar decisões, de agir, de pensar, de escolher, de julgar… Sabe? Sem consciência, não existe pessoa.
– Hm… Então, uma pessoa que esteja em coma, por exemplo, não é pessoa?
– Não! Digo, é! É sim!
– Mas ela não tem consciência.
– Eu sei, mas…
– Assim como uma pessoa com paralisia cerebral…
– Hã…
– … e Alzheimer avançado…
– Bom…
– … e algumas outras moléstias, como sífilis, que podem afetar o estado mental da…
– Socorro! Um fascista! Estou sendo oprimid@ pelo patriarcado machista e falocrático!

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7 comentários sobre “Vamos falar sobre aborto?

  1. 3_ Ei, vocês dois, tenham calma. Veja, ele não é fascista. Só está tentando argumentar que não existe mágica. Se o amontoado de células é considerado pessoa ao nascer, certamente já tinha as qualidades de pessoa instantes antes de nascer.
    1_ O que você quer dizer com isso? Que esse amontoado de células já era pessoa antes de nascer?
    2_ Sim, é o ele quis dizer. E é onde eu queria chegar. Antes de você ter aquele surto, estava tentando mostrar que o que te torna pessoa é a potencialidade de consciência, mesmo que essa consciência esteja ausente (como no coma) ou não tenha ainda se desenvolvido (como no recém nascido).
    3_ Viu! Não era necessário ter se descontrolado e chamado ele de fascista.
    1_ Desculpem. Fui um bobo. Mas… Se é assim, do que depende essa potencialidade de consciência?
    2_ Da alma, é claro.
    3_ Não é tão claro assim. Não dá para ficar na resposta simplista de que depende da alma, pois alma é algo que a medicina não tem como testar e avaliar. Talvez a melhor resposta seja que a potencialidade de consciência venha de um sistema nervoso minimamente estruturado para isso.
    1_ Perfeito. É onde eu queria chegar, antes do meu rompante de loucura. Me desculpem, de novo.
    2_ Não peça mais desculpas. Mas se vamos avaliar a capacidade de consciência pela existência de sistema nervoso minimamente estruturado, a partir de quando o amontoado de células é uma pessoa?
    3_ A partir da décima-segunda semana, talvez? É quando o amontoado de células passa a ter condições de uma vida mental
    1_ Entenderam agora? Antes disso o amontoado de células ainda não é mais que isso. Um amontoado de células. Só depois disso é que dá pra falar em consciência em potencial, ou ainda em emoções, sentimentos, vivência mental.
    2_ Não estou gostando disso. Primeiro vocês dizem que não devemos considerar a alma como fator de determinação de pessoa. Agora falam em sistema nervoso a partir da décima-segunda semana. Estão querendo defender o aborto?
    3_ Não estou defendendo nada. Só estou dizendo que atribuir ao embrião, antes disso, a qualidade de pessoa não é adequado. Não mais adequado que chamar de pessoa qualquer outra parte do corpo considerada em separado. Estou dizendo que até essa fase o embrião é parte do corpo da mãe, só se separando dela para formar uma nova pessoa depois dessa fase.
    1_ Parece coerente.
    2_ SOCORRO!!!! ESTOU SENDO HOSTILIZADO POR DOIS ATEUS FEMINISTAS ASSASSINOS DE CRIANÇAS!

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    • Em tempo: o embrião não faz parte do corpo da mãe em nenhum momento. Ele tem a sua existência dependente do corpo materno por estar inserido nele, mas não o compõe. Se o embrião fizesse parte do corpo da mãe, ambos teriam uma carga genética idêntica, o que não acontece. O cientista Jerome Lejeune explica isso de modo bem didático.

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      • Na verdade eu só quis colocar mais lenha na fogueira. Não tive intenção de ser assertivo. Foi pelo divertimento… Entretanto, essa questão não é tão simples. Depende da ótica que você considera. Por exemplo: se recebo uma doação de rim de pessoa viva, o doador pode continuar a se declarar dono do rim por causa da carga genética? O rim dentro do corpo do receptor não é dele? Do ponto de vista genético não, mas do ponto de vista orgânico, se não houver rejeição, é parte do corpo. Do ponto de vista jurídico, então, o rim certamente é do receptor. (Obrigado por ter aceitado meu comentário. Abraço!)

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      • Felipe Melo,É isso mesmo! podemos perceber isso antes mesmo do bebê nascer,pois quando o pai e a mãe vive em completa harmonia,o bebê sente isso,da-se o fato de quando o pai se aproxima e começa a conversar com o bebê a mãe pode sentir a reação do mesmo com o pai. isso é uma das provas que o bebê tem uma ligação lógica é claro com a mente e o organismo da mãe ,porém ele é um ser independente,e não um órgão exclusivo da mãe como alguns dizem,defender o aborto é o mesmo que matar uma pessoa indefesa com a consciência de um psicopata que acha que é certo.

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  2. Sobre o comentário do rim e a lógica jurídica: o rim pode ser considerado parte daquele que recebeu a doação pelo simples fato de ele não passar de um rim. O rim não crescerá e se transformará noutro ser. O rim não é potencialmente a pessoa a que ele pertencia antes nem aquela a que ele pertencerá depois. O comentário é absurdo , inclusive porque um rim não condiciona a existência humana, tanto que, em muitas situações, ele pode ser doado.
    Acredito que o raciocínio fica mais completo pensando acerca da morte e trazendo justamente a circunstância jurídica para o debate: o momento da morte já foi considerado aquele em que ocorresse a parada cardiovascular, atualmente ele se nota na cessação da atividade do encéfalo.
    Para todos os efeitos, como ocorrem mudanças ao longo da história, não somos capazes de definir nem o momento exato da morte com segurança, nem o da vida. Melhor é dar o benefício da dúvida ao inocente e não abortar.
    http://porquedivergimos.blogspot.com.br/2013/07/quando-um-homem-e-um-homem-i-pela.html

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